terça-feira, 1 de novembro de 2016

Imperative Music Volume XII

Essa não é a primeira vez que recebo um álbum da Imperative Music (leia Entrevista: Imperative Music), mas a cada número que chega em minha caixa de correio, percebo um avanço em relação à edição anterior!
Ao receber a 6 e a 7, entrevistei o Gilson, que organiza a coletânea. Um dos assuntos abordados na ocasião, foi a variedade de condições em que chegam os áudios, no tocante à produção, mixagem e masterização, pra dizer o mínimo. Naqueles álbuns ainda era possível perceber essas diferença entre uma faixa e outra. De umas edições pra cá, especialmente esta última, essas flutuações sumiram, o que melhorou ainda mais a experiência de escutar a compilação! São 3.000 exemplares de um material de grande qualidade, que ajuda a cada edição descobrir mais bandas interessantes.
As bandas da coletânea são sempre boas, preocupadas com a técnica e com a qualidade do seu áudio. Cada banda ali suou pra produzir seu material e isso conta muito. Tudo que foi colocado nesta edição é bom, mas nem sempre se encaixa com o gosto pessoal de cada um. Eu mesma tenho minhas favoritas e outras não tanto ;-)
Adianto que as bandas brasileiras, para mim, foram as mais legais do CD! Abaixo, estão links correspondentes às faixas da compilação que eu consegui encontrar pela Internet, para que vocês apreciem e escolham as que mais lhes agradam:

Alice In Hell (Japão) - Time to Die:

Infact (Luxemburgo) - Change my Name: https://infactmusic.bandcamp.com/track/change-my-name

Cavera (Brasil) - Controlled by the Hands

As Do They Fall (Brasil) - Burn

Nihilo (Suíça) - On the Brink: https://nihilo.bandcamp.com/track/on-the-brink-2

Statue of Demur (Canada) - Hot to Trot
Darcry (Japão) - Cry of Despair: http://artist.aremond.net/darcry/discography/

Death Chaos (Brasil) - Atrocity on Peaceful Minds

The Holy Pariah (EUA) - No Forever: https://theholypariah.bandcamp.com/track/no-forever

Tribal (Brasil) - Broken

Hide Bound (Japão) - Eden Kew


Phantasmal (EUA) - Specter of Death: https://phantasmalmetal.bandcamp.com/track/specter-of-death

Basttardos (Brasil) - Exilados: https://www.vagalume.com.br/basttardos/exilados.html

Metanium (EUA) - Resistiendo

The Wild Child (Itália) - You and the snow


Armed Cloud (Holanda) - Jealousy with a Halo


Eduardo Lira (Brasil) - The Edge


Godvlad (Portugal) - Game of shades

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

3 entrevistas - Sangre, Savant e Artillery!

Antes (muito) tarde do que nunca, aí estão as 3 entrevistas que fiz com o pessoal das bandas Artillery (Dinamarca), Sangre (SP) e Savant (RJ), por ocasião do show que rolou em agosto no Lapa Social.
Desde então algumas mudanças rolaram, principalmente com a banda Savant: a Milli saiu, entrou Allan Costa e a master do novo álbum está finalmente pronta!
O nome do local do evento também mudou e agora a banda Sangre já é veterana :D Bom, pelo menos criaram finalmente a sua fanpage no Facebook!




Naquele dia, fui ao Lapa Social (agora e.klub) conferir o som das bandas. O local tem dois ambientes, para refeições durante o dia e shows à noite, que na ocasião abriu um espaço para o metal. Com lugar para acolher 300 headbangers, é acima da média para os padrões que costumamos encontrar nos shows underground. Limpo, cheiroso, fácil de chegar, fácil de voltar pra casa. Gostei!
Esse evento tinha algo notável: a duração das bandas era uma "escadinha": a mais nova tinha apenas alguns meses de formação, a mais velha tem 32 e a intermediária tem 17 anos, praticamente a média. Foi interessante observar as diferentes experiências.
A primeira banda a se apresentar foi Savant, que tocou o repertório de seu álbum antigo e mais algumas do vindouro Serial Killer's Tales. Aguardando coisa boa por aí! Depois veio a paulistana Sangre, com uma performance cheia de energia, com direito a integrantes descendo do palco para se aproximar da plateia. Quando eles voltarem ao Rio, não deixem de conferir! Estavam apenas começando e já prometiam...
A galera enlouqueceu mesmo com a subida da Artillery ao palco. Os veteranos, na estrada há 32 anos, entraram numa linda sinergia com o público, confirmando sua preferência por shows mais intimistas.
Como ainda tinha que acordar cedo no dia seguinte, saí antes da última música, não sem um certo pesar. Na porta da casa noturna, um desavisado que parou lá em frente por causa do som, me perguntou o que estava rolando. Depois de saber das bandas, pôs as mãos na cabeça e lamentou-se: "como é que eu não fiquei sabendo?!" Realmente, cara, perdeu! A noite foi muito válida, mesmo tendo que levantar às 6 no dia seguinte!
Essas entrevistas foram gravadas em vídeo também. Quando estiver disponível, atualizo esse post com o link!
Tem uns trechos assim (***) porque eu realmente não entendi o que os caras falaram... Quando tiver o vídeo, vai ficar melhor!

Artillery

RM - É um prazer conhecê-los!
Artillery - Um prazer conhecê-la também!
RM - Vocês são uma banda com 32 anos. Com toda essa experiência, como vêem essas transformações que ocorreram na cena de rock e metal?
Artillery - A Internet, claro. Isso mudou muito para as bandas. Quando começamos, tínhamos que registrar em fitas cassete (pra quem nasceu depois da década de 80, há uma imagem da tal mídia… :D) e comercializar com as pessoas e agora está tudo na Internet. Há uma grande diferença aí. Mas é uma grande coisa para nós: poder tocar, nós amamos tocar e nunca é demais.
Artillery - No final das contas, tudo se resume a uma banda tocando ao vivo, na minha opinião. Quer dizer, você pode ter a Internet, o Spotify e tudo mais, mas uma banda de verdade sai e toca ao vivo, sai em turnê. E isso não vai mudar… Esperançosamente.
RM - Percorrendo esta trajetória, a banda teve dois começos: em 1985 e em 1999, porque vocês pararam por alguns anos e começaram de novo. Vocês já falaram que a Internet fez uma grande diferença. Mas o que vocês consideram como positivo e negativo em ambos os períodos?
Artillery - É sempre positivo tocar, tocar ao vivo. Se eu não pudesse tocar ao vivo, eu pararia de respirar. O mais importante pra mim é tocar a música ao vivo. Isso nunca mudou: no início dos dias, era ótimo fazer isso e agora continua ótimo. Então, essa é a coisa mais importante pra mim, penso que também pra todo o pessoal. (***) não era nem nascido naquela época (risos)… Nem você (agora quem ri sou eu! Já tinha nascido sim)!
RM - Sobre a composição de sua músicas… Vocês usam recursos como, por exemplo, gravar a bateria e mandar pro outro por e-mail ou vocês preferem a maneira tradicional de compor, colocando todo mundo junto num estúdio e por aí vai?
Artillery - A maior parte das idéias, a gente tem do (***), a gente gosta de de fazer na sala de ensaio (estúdio), claro. Se eu tenho um riff e quero tocá-lo, eu diria (***********), e então perguntaria: e aí, o que acharam do som? Às vezes o Peter dá uns palpites e a gente experimenta.
O que vocês andam escutando agora? Que bandas vocês tem escutado atualmente e como elas influenciam seu som?
Artillery - Michael e eu ainda ouvimos Abba. Nosso amigos suecos…
Eu gosto de Abba!
Artillery - Sim, é bom!
A gente meio que escuta a mesma gama de músicas. Quando comecei a tocar, escutava Black Sabbath e coisas assim, eu ainda me apego a essas coisas, mas também prefiro escutar o novo Megadeth no momento. The Misfits (?) por exemplo, o novo Anthrax, manter as boas influências, procurando por boas coisas, mas devo admitir que os grandes clássicos sempre estiveram aí, esse anos todos. Clássicos fazem bons álbuns. Eles dizem o que todo mundo quis dizer (?)
RM - Já que você tem escutado o novo Megadeth, o que acha da performance do novo guitarrista, Kiko Loureiro?
Artillery - Ele toca realmente bem, ele é brasileiro, né?
Sim, por isso estou perguntando!
Artillery - Ele é um ótimo guitarrista. Vamos ver por quanto tempo ele consegui manter contato com o Mustaine… Nunca se sabe!
Ao longo da carreira, vocês se apresentaram em vários tipos de shows e cenas diferentes, desde shows pequenos a outros grandes, incluindo um num transatlântico! Gostaria que vocês falassem algo sobre essas diferentes experiências.
Artillery - Pessoalmente, gosto de tocar em qualquer lugar. Peter prefere tocar em locais pequenos, a gente tem mais contato com o público, mas também gosto muito de tocar em festivais grandes como Wachen, por exemplo, mas também gosto como será agora, muito legal. Peter pode falar bastante sobre isso também (risos).
RM - Eu vi dois shows de vocês no Youtube: um grande, com uma separação entre vocês e o público e outro pequeno. Achei mesmo que vocês estavam mais à vontade no show pequeno, com a plateia bem perto de vocês.
Artillery - É muito bom tocar em lugares menores também porque a gente pode experimentar um pouco mais do que a gente fez da primeira vez. Eu acho que o conceito das pessoas é muito importante, é mais fácil fazer isso em espaços menores.
Funciona das duas maneiras, a audiência é muito energética, a gente se alimenta disso, dessa energia toda e ganha um estímulo. Mas no final das contas, as duas coisas são divertidas e a gente gosta das duas.
RM - Muito obrigada! Estou esperando um grande show de vocês pelo que eu vi na Internet. Vocês são demais!

Sangre

RM - É um prazer conhecer vocês! E estou conhecendo mesmo agora, pois tudo que encontrei sobre vocês na Internet foi o link para uma música no Soundcloud. Gostaria então que vocês se apresentassem.
Sangre - Pedro, baixista; Ian, vocalista; Piu, guitarrista; Bruno, baterista.
RM - Como é que começou a banda de vocês?
Sangre - Essa banda com o nome Sangre é recente. Ela tem uns 4 ou 5 meses, mais ou menos. Só que eu e o Piu nos já tocávamos num projeto semelhante há 10 anos atrás. Então a gente chegou até onde a gente conseguiu chegar, cada um rumou para um canto até a hora que a idade bateu, a saudade bate e falamos: cara, vamos voltar? Vamos fazer alguma coisa? Daí começou meio despojada a coisa e, começou a pintar. Então foi muito rápido, uns 4 ou 5 meses, a gente tem pouco material, nosso CD… A gente acabou de sair do estúdio, então o lançamento está previsto para daqui a uns 2 meses mais ou menos. Também encontramos o Bruno, que é irmão do Piu… E a gente achou essa peça de voz grossa, que toca absurdo, falei: brôu, vamos com a gente.
RM - A linha de vocês é Thrash Death, não é? Quais são as suas influências então?
A principal influência que a gente teve, que cresceu com a gente é o Sepultura. Sepultura foi um norte pra gente. Até para eu tomar a decisão de ser vocalista foi acompanhando Sepultura. Eu via o tamanho do Sepultura, qualquer lugar que você olha, você vê Thrash brasileiro, Sepultura. E aí começou a entrar novas influências: Cannibal Corpse, Lamb of God… A gente tentou fazer um som agora com personalidade um pouco diferente de todos. Até Artillery, com a gente aqui, foi um norte também, que… Poxa, uma banda formada em 82 que hoje a gente tanto admira e segue. Mais ou menos isso.
RM - Como a banda é muito recente, com esta banda vocês ainda não devem ter tocado com outra banda do tipo do Artillery ainda, não é?
Sangre (Ian) - Não. Com essa formação, com esse nome, esse projeto novo, não. É a primeira vez.
RM - E vocês já tiveram experiência parecida com outras bandas?
Sangre (Ian) - Internacional, não. Agora, grandes nomes brasileiros … Já tocamos com Torture Squad, tocamos com Claustrofobia… Outras bandas do cenário nacional, a gente já tocou. Pedro - Antes de entrar na banda, eu toco numa banda chamada Dying Silence, a gente está gravando o full que sai ano que vem e a gente já abriu pro Project 46 neste ano em São José dos Campos, no Hocus Pocus.
RM - O que a gente pode esperar desse CD novo que vem aí?
Sangre (Ian) - Muita porrada na cara, som direto, não tem firula; um som pesado, consciente, bem arranjado, que… Meio novidade. A gente está pegando umas vertentes e misturando pra fazer um som único mesmo.
RM - Como apareceu o convite para vocês virem pra cá?
Sangre (Ian) - Isso aí foi o Piu!
Sangre (Piu) - Eu já conhecia os caras do Lacerated há muitos anos. A gente já tocou com eles na formação antiga, com outra idéia… E aí eu vinha trocando uma idéia com o Johnathan e ele falou que estava pra fazer esse rolê, convidou a gente. A Sangre ja estava na atividade, fazendo vários shows, com o disco praticamente acabando no estúdio… Aí mandei um single pra ele, mandei release, mandei muita coisa e ele gostou do som. Fez o convite e na hora eu aceitei. Foi bem rápido. Eu já conhecia eles há muito tempo, então foi bem fácil de trocar essa idéia.
RM - Vocês já tocaram aqui no Rio então, não é?
Sangre (Piu) - Não, nunca tocamos. A gente se conheceu em São José dos Campos e é a primeira vez aqui no Rio. Pra gente está sendo uma honra. A gente vai fazer um set fudido!
RM - Então a gente vai ter no show músicas originais de vocês e algumas covers?
Sangre (Piu) - O som próprio e um coverzinho pra dar uma agitada na galera.
RM - Muito prazer, obrigada e arrebentem lá!

Savant

RM - Vocês estão fazendo um álbum temático, que é uma coisa rara, não é muito fácil de encontrar e esse álbum já está andando faz uns 3 anos, mais ou menos, não é isso? Queria saber sobre o processo criativo desse álbum.
Savant (Antônio) - Não tem como a gente falar desse processo criativo do álbum sem falar do projeto de reformulação da banda. Na verdade esse material que eu estou lançando agora em 2016 era pra ter sido lançado hoje, mas a gente teve um probleminha financeiro pra poder mandar prensar. Era pra ter sido lançado em 2009, inclusive. Não com esse conceito do serial killer, mas era pra ter feito material promocional de 10 anos da banda, só que as pessoas que estavam na banda, na época não compraram essa idéia. Acabaram saindo e esse processo de reformulação da banda foi uma coisa um pouco difícil pra mim. Quando chegou em 2012, 2013, a gente meio que decidiu escrever sobre essa questão do serial killer. E aí a gente pensou: vamos fazer o disco inteiro? Eu nunca fiz isso, achei até que isso ia me tolher um pouco, do ponto de vista criativo, de escrever… Mas aí eu falei: o que é serial killer? Será que é só o cara que aparece no jornal, que está matando e aparece no noticiário da noite, na TV? Será que os colonizadores não foram, será que a gente se matar, matando a natureza, a extinção de espécies? O que é vida, na verdade? Essa questão era muito mais ampla que pegar o livro de um serial killer e estudar a vida do cara e falar: escolhi esse cara mauzinho aqui e vou falar sobre ele agora. Essa coisa é muito maior. Aonde está o serial killer? Está aqui, ali… É um pai e uma mãe que joga a filha pela janela, a filha que mata os pais por causa do namorado. Isso está no nosso dia-a-dia, na verdade.
A gente escolheu fazer isso primeiro por estar preocupado com essas questões, mas a gente percebeu depois que nenhuma banda tinha feito e falei: opa, eu gosto dessas coisas meio inovadoras, meio diferentes. É lógico que tem as bandas de Death e Thrash que já devem ter escrito sobre serial killer em algum momento. É claro que já escreveram, óbvio. Mas eu não sei se foi o disco todo. E se teve, foram poucas oportunidades em que isso aconteceu.
Foi nessa linha que nós trabalhamos, nesse processo criativo. Foi difícil porque a gente teve que escolher umas pessoas ruins (risos) pra poder falar sobre elas… E principalmente pra mim, que sou o vocalista da banda, teve um caráter interpretativo porque é meio estranho você pesquisar um serial killer e em algum momento eu vou ter que interpretar como se fosse na primeira pessoa e vou falar: eu sou o cara que fez isso e isso e isso, para que apareça no vocal de maneira interpretativa; não é só o timbre, você tem que encarnar a pessoa. Quando a gente começa a pensar dessa forma, foi difícil, mas uma experiência extremamente enriquecedora porque eu pude me expandir musicalmente no vocal. Lógico que eu tive ajuda; vocês devem ter visto a entrevista com o Syren, que fez a co-produção. Ele diz que a ajuda dele não foi muita; eu acho que foi fundamental, porque me fez olhar a interpretação vocal de uma outra forma. Aí na hora de gravar foi mais tranquilo, mais dinâmico; teve take que eu fiz de primeira. Foi interessante nesse sentido.
RM - Para a construção desse álbum, quais foram as referências sonoras mais importantes?
Savant (Zé Renato) - A minha referência sonora, que eu contribuí, até diversificando um pouco, eu curto muito Black Sabbath. Procurei trazer um pouco dessa linha de baixo para algumas músicas, que inclusive estavam incompletas.
Savant (Antônio) - Quando ele voltou pra banda, foi no meio do processo de composição. E tinha músicas que estavam meio "colcha de retalhos" ainda. Eu falei: cara, ele vai resolver o problema! Se eu não conseguir resolver, alguém vai ter que resolver (risos)… O que você tem pra me oferecer? E foi impressionante, porque eu não tocava com o Zé há muito tempo. Ele saiu da banda em 2001 e depois de 14 anos o cara voltou pra banda.
Savant (Zé Renato) - Ele me passava a idéia da música em si, do serial que estava sendo falado… Em determinado momento estava ali faltando um pedaço, um solo, ele falava: nesse momento aqui eu quero expressar isso e a gente procurou dessa forma ir montando o que estava faltando.
Savant (Antônio) - E aí a gente conseguiu costurar.
Se você perguntar a diferença do No Hope para esse disco, na verdade muitas pessoas não entenderam a proposta do No Hope… A minha voz estava muito parecida com a do Nuclear Assault e as pessoas não perceberam isso. Eu ia cantar com a voz que eu canto hoje. Aí na produção do No Hope o Sidney falou o seguinte: desculpa, tá uma merda. Volta pra casa e tenta outro timbre melhor. Saí de lá puto, né… Aí eu voltei pra gravar o No Hope e falei: eu tenho isso aqui pra apresentar. Em dois dias arrumei um timbre, sei lá como. Gostei disso aí, vamos gravar. A proposta era ser oldschool, a gente usou afinações altas, no padrão do que era usado nos anos 80/90. Espero que depois dessa entrevista as pessoas ouçam o que está no Youtube com outro olhar.
Esse novo disco já é um pouco diferente. A gente procurou dar um lado mais sombrio, porque as letras sugerem esse tipo de coisa. Eu não podia fazer a voz com o timbre igual ao que eu tinha feito anteriormente e eu tive que buscar outras referências. Mas as minhas referências são Black Sabbath, Thrash metal alemão, Bay Area… Não tem uma banda específica… Algumas críticas falaram que o Savant tinha algumas coisas parecidas com o próprio Artillery. Tenho resenhas lá ema casa que eu falei: Artillery?! Tá, adoro Artillery, mas não pensei nos caras na hora. Foi uma coisa muito fluida, foi muito tranquilo fazer isso.
RM - Teve alteração dos integrantes da banda durante o processo. Entrou a Milli, como isso influenciou na composição?
Savant (Antônio) - Na verdade a Milli já entrou no final, no "bonde andando". Já estava tudo gravado eu estava me preparando para gravar os solos que ela acabou gravando, que foram 3 ou 4. Aí eu tive a idéia: tá entrando na banda, ela já vai ter que tirar todo o disco. Eu resolvi dar uma chance para ela e fiz uma proposta: você vai gravar três solos do disco. Ela tremeu um pouquinho na hora porque nunca tinha gravado solo, mas ela foi bem. Apresentou umas ideias interessantes. Fez um solo de uma música que fala de um serial killer japonês e quando eu vi, acho que fiz uma aposta certa.
E a gente vai ouvir uma palhinha do disco no show?
Savant (Antônio) - Quatro músicas! Um terço do disco, na verdade. Nós íamos lançar o disco hoje, mas não deu por problemas monetários, intergaláticos… interplanetários!
Savant (Zé Renato) - O momento do país, também…
Savant (Antônio) - A gente podia fazer o lançamento somente em formato digital também, mas eu acho que a gente não pode perder um pouco da essência. O digital é bacana, é dinâmico, é o som de hoje… Mas se estamos aqui hoje foi por causa do material físico. Eu sou um pouco saudosista nesse sentido. Vi um pessoal lançando em vinil, pensei: vou fazer um negócio desses. O coração manda fazer, mas eu não sei se o bolso vai deixar (risos)! Está tudo sendo feito pelo "Meu Bolso Records"… E aí vai ficar um pouco difícil nesse momento. Mas o material merece e eu acho que as pessoas vão gostar.
RM - Nas formações da banda, vocês tiveram uma mulher uma vez e agora uma segunda vez e tiveram uma formação só com homens também. Conta aí pra mim como é ter a "bela entre as feras"!
Savant (Antônio) - Eu acho que tem que ter um tratamento equalitário. Não tem que ter essa parada homem/mulher. Eu acho que o Savant ficou também um pouco mais de vanguarda nesse sentido. Você imagina que em 99 a gente foi uma das primeiras bandas que lançou um EP em CD, o Portrait of Reality; a gente que bancou junto com Imago Mortis, lançando pela Varda Records, uma das poucas do Rio de Janeiro. Já tinha a Monica na banda, na época.
A Monica saiu da banda em 2005 por motivos particulares e teve um outro homem na banda tocando. Eu não vejo muita diferença e nem uso isso como ponto de marketing. Tem gente hoje em dia que bota uma mulher numa banda e fala assim: eu quero ter uma mulher na banda pra vender um pouco mais de disco e ela é bonitinha, vou láfazer o negócio acontecer. Não é por aí. Eu recentemente toquei com o Torture Squad e a menina é show de bola, canta pra caralho e está funcionando agora. Eu acho que a questão é essa: a banda tem que funcionar. E a Milli funciona no Savant.
Nota: apenas no mês seguinte à entrevista que aconteceu a substituição dos guitarristas... Demorei muito pra postar!) 
RM - Nesses 17 anos da banda, o que vocês destacariam ao longo da trajetória?
Savant (Antônio) - Perseverança. Porque se não tivesse perseverança eu não tinha chegado até aqui. Pra ter perseverança é preciso ter duas coisas: amor pelo que faz e… Estômago. Coração e estômago!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Entrevista: Banda Helga

Pra tirar a poeira do blog, começo logo com uma entrevista gravada da banda carioca Helga, feita no Rio Novo Rock (Imperator - Méier), edição de agosto de 2016. Falamos sobre a origem e o nome da banda, integrantes, influências sonoras, álbuns, histórias engraçadas e Pokémon Go!
Esse foi o primeiro vídeo que fiz para o canal, com uma série de limitações... :D Espero ir aos poucos aumentando a qualidade do material...
Confiram e deixem suas críticas nos comentários:

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Resenha - Semana do Rock em Mesquita

Este foi o segundo dia do festival Semana do Rock em Mesquita. O evento, apoiado pela prefeitura, tem uma interessante proposta de mesclar bandas locais com outras do estado, não tendo repetido nenhuma até agora.
Por causa de uns contratempos com o GPS, cheguei pouco antes da segunda banda subir ao palco, a Levante! Flagrei o pessoal da Rádio Cidade sorteando diversos brindes pra galera. Infelizmente não pude conferir ao vivo o som da banda Gente, mas terei outras oportunidades.


A banda Levante! é do Rio de Janeiro, com origem nos movimentos estudantis da UFF e UFRJ. Seu som recheado de influências grunge agradou a plateia. Aquele show foi a despedida do baixista Paris, que está na banda desde seu início. Aqui, você pode conferir uma entrevista que a banda deu para o Rio de Metal, em 2012.




No intervalo, um dos apoiadores, a Prev Car, fez uns kits bacanas pra sortear: juntou itens de todas as bandas participantes para quem fosse contemplado no evento com um telefonema deles. A Genomades foi a banda seguinte a subir ao palco. O grupo de Mesquita teve intensa participação fazendo a plateia vibrar com a performance super teatral do vocalista Marcos Gaioso, que iniciou os trabalhos com a inusitada combinação de vestido de noiva e máscara de gás.



Em seguida, apresentou-se a banda Zero9, agradando bastante com sua apresentação. Ela também é do Rio de Janeiro (Guadalupe), no estilo pop-rock.



A Stereophant foi a quinta banda a se apresentar. Na minha visão foi a mais aguardada da noite. Com algumas músicas tocando na programação da Rádio Cidade, fez a galera desprender bastante energia pulando e cantando junto.




Ainda sobrou um pouco pro pessoal curtir a Unmasked Brains, que tocou em seguida. Reinaldo (vocal/guitarra base) chegar a soltar fumaça ali em cima do palco (suspeito que isso tenha ocorrido por causa dos acarajés turbinados que ele traçou ali na pracinha, antes de se apresentar). E como onde há fumaça há fogo, afirmo que eles estavam bastante satisfeitos em retornar a Mesquita, ainda que com o público um tanto reduzido pelo adiantado da hora.




Pra fechar a noite, apresentou-se a Taturana de Aço, com diversas covers que deram o golpe de misericórdia nos últimos presentes.



Foi uma bela noite. Parabenizo a todos os envolvidos, torço para que a Semana do Rock dure muitas e muitas edições!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Edição comemorativa de 2 anos do Roquealize-se


Se tem um evento que eu admiro aqui no estado do Rio, é o Roquealize-se. Apresentando sempre bandas diferentes a cada edição (mesmo quando os frequentadores pedem algum repeteco), o festival está completando 2 anos e comemora com uma edição mais que especial. As bandas a se apresentarem no dia 18/07 são Blind Horse, Casti'El, Drenna, Forkill (clique aqui para ver uma matéria deste blog com a banda) e Plastic Fire (clique aqui para ver uma matéria deste blog com a banda), além da abertura pela banda mais votada em enquete a ser realizada na página do evento. Bandas, vocês podem se inscrever até o dia 3 de julho pelo email roquealizese@gmail.com.
Pra quem ainda não sabe, esse evento acontece desde julho de 2013. Já passaram por seu palco Canto Cego (clique aqui para ver uma matéria deste blog com a banda), Nove Zero Nove, Ikke Flesch (SC), Unmasked Brains (clique aqui para ver uma matéria deste blog com a banda), Maieuttica (clique aqui para ver uma matéria deste blog com a banda), Etno (DF), Diabo Verde (clique aqui para ver uma matéria deste blog com a banda), Facção Caipira e Hicsos (clique aqui para ver matérias deste blog sobre a banda).
Unmasked Brains no Roquealize-se

Canto Cego  no Roquealize-se

O Roquealize-se conta com apoio da Rádio Cidade e da Prefeitura do Rio de Janeiro. Foi selecionado no Edital Ações Locais 2015, fazendo parte do calendário oficial de comemorações dos 450 anos da cidade.
Então coloque em sua agenda: dia 18 de julho, sábado, a partir das 16h, a sexta edição do Roquealize-se acontecerá na Praça XV de Novembro, em Marechal Hermes.
Pra eu terminar de morrer de amor, o festival está engajado na campanha “Underground Contra o Frio”: lembrem de levar agasalhos para doação, que serão recebidos durante todo o evento.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Krisiun no Clube Recreativo Caxiense

Quando cheguei, Krisiun e Tellus Terror estavam passando o som, o que já me dava uma ideia do que estava por vir. Tinha uma boa galera na porta do Clube Recreativo Caxiense, outro bom sinal.


Mais umas arrumações daqui e dali e Handsaw inicia lindamente os trabalhos no palco 2. A plateia, super disposta a se divertir, abriu diversas rodas e não parou de bater cabeça um segundo sequer.


Ainda no palco 2, entra Evil Inside, surpreendendo positivamente os presentes, especialmente por conta de sua vocalista Fernanda Borges, uma mignon com guturais poderosos.


A terceira banda a subir foi Deus Castiga, no palco 1. Como sempre mandando muito bem e a galera lá embaixo correspondendo.


Logo após, dispensando apresentações, sobe ao palco 2 Unmasked Brains. Mais uma vez a plateia dá um show de animação! Canta as músicas junto, se joga de lá de cima.


Então chega a vez de Tellus Terror subir ao palco 1. Meu primeiro contato com o som dela foi através da coletânea da Imperative Music (veja aqui uma entrevista que fiz com o organizador). A galera já está amontoada esperando o início do show, difícil chegar para bater uma foto. Essa banda literalmente tem fogo no palco! Quase que saio tostada pra pegar um bom ângulo...


Demolishment fecha as apresentações do palco 2 com muita categoria e, como sempre, a animação da plateia dá um show à parte!


Enfim, chega o momento de apreciar o som do Krisiun, que há 2 anos não visitava Caxias. Como esperado, fizeram um excelente show, levando a galera que se apinhava na frente do palco ao delírio.


Apesar de cheio, acho que desta vez consegui melhores ângulos que no show de Mesquita (leia a resenha aqui). Max Kolesne ainda brindou a plateia com um solo de bateria de tirar o fôlego. Afinal, guitarrista e baixista precisam de um tempinho pra descansar, né? Beber uma água...
 E o baterista quase não se desgasta num show...


No fim, queria mostrar as fotos pros caras do Krisiun, da mesma forma que fiz em Mesquita, mas tinha tanta gente pra falar com eles que desisti! Sabia que eles atenderiam a todos que lá estavam, só que a necessidade de acordar cedo no dia seguinte falou mais alto e acabei voltando logo pra casa.


Um evento como esse mostra que independente das bandas terem a chancela de uma gravadora ou um selo são boas no que fazem e pode ser muito maneiro frequentar o underground.

sábado, 25 de abril de 2015

Entrevista exclusiva: Paulo Lopez, produtor executivo do Rio Novo Rock

Quando fui assistir a uma das edições do Rio Novo Rock, fiquei encantada com o que vi (ver neste post). Daí veio a vontade de conhecer mais sobre o evento e ninguém melhor que Paulo Lopez para responder as minhas perguntas. Agradeço a atenção dispensada pelo Paulo Lopez e pela Isabella Ribeiro, que levou adiante minhas perguntas e tornou possível esta matéria.
Conheçam a origem do evento, como ele é feito e outras coisas mais a seguir!

Equipe do Rio Novo Rock. Foto: Leo Mello/Studio Prime

Como surgiu o Rio Novo Rock? Desde o nascimento da idéia, a obtenção do espaço do Imperator, até as primeiras edições...
Havia um embrião inicial sobre a criação de um projeto de rock no Imperator, mas esse era para um fim de semana apenas que coincidisse com o Dia Mundial do Rock. Depois, conversando com a equipe que hoje faz parte do Rio Novo Rock: Diogo Gallindo, Gustavo Genton e Igor Lanceiro chegamos a ideia de fazer um evento mensal. Em seguida veio o formato, o conceito e colocamos o projeto no papel e apresentamos. Fizemos um mapeamento das bandas e DJs de Rock, definimos a data de lançamento, desenvolvemos a campanha de comunicação e começamos a trabalhar para que o Rio Novo Rock se tornasse uma realidade. Daí veio a primeira edição que recebemos umas 400 pessoas, a segunda edição com umas 700... Daí não paramos mais e estamos na 10ª edição.

Foto: Studio Prime

Até agora acompanhei duas edições e vi que vocês costumam colocar bandas correlatas: duas de hardcore em março, uma de stoner e outra de heavy metal em abril. Falem sobre a formatação do evento e também sobre as as implicações disso na divulgação, pois imagino que em cada uma delas o público deva ser ligeiramente diferente.
O formato é: 2 bandas de rock, autorias e do RJ + 1DJ + 1 VJ + público e muito trabalho. Em algumas ocasiões as bandas tem um perfil mais parecido em outras nem tanto. Na última edição e na de abril segmentamos para dar oportunidade a outras bandas dos gêneros que o Rock oferece. Divulgamos para as pessoas que já frequentam para que elas continuem ouvindo bandas novas e de alguma forma tentamos ampliar o nosso raio de ação. O objetivo é trazer mais público, mais integração no cenário do rock independente. Divulgamos basicamente na internet, Rádio Cidade e material impresso.

Foto: Studio Prime

Vocês estão indo para a décima edição agora, certo? Como vocês avaliam o evento, o retorno que está dando a vocês?
Certo, 10ª edição e acreditamos que o evento está em franco crescimento e o retorno é para o Rock, para o público que quer conhecer novos artistas, bandas, Djs... O Rock precisa e está tendo mais espaço no ouvido do público. Esse é o objetivo.

Foto: Studio Prime

Quanto ao cenário do rock independente no Rio de Janeiro como um todo, como vocês o enxergavam antes de iniciarem o projeto e qual a visão que vocês têm agora, em relação às bandas, à receptividade do público, à divulgação de músicas, bandas e eventos...
Não é fácil ser artista independente, assim como em outras profissões ligadas a arte. Existem palcos de todos os tipos e em todos os lugares, mas é preciso também dar condições para o artista se apresentar. A gente tem o apoio do Imperator e conseguimos fazer um trabalho bacana com as bandas e o público, mas é preciso investimento, profissionalismo e união.

Foto: Studio Prime

Shows de bandas independentes, existem aos montes aqui no Rio (mantenho uma agenda deles e tem todo fim de semana, em várias casas, praticamente de quinta a domingo), mas dificilmente dá mais de 100, 150 pessoas. Bem o contrário do que vi no Rio Novo Rock, na última edição que assisti. Meu palpite sempre foi que o lugar faz muita diferença: som, iluminação, organização da casa... E qual a visão de vocês sobre isso?
A nossa média de público é de 500 pessoas. A última edição chegamos a 450 e algumas edições já com 600 / 700 pessoas. Concordo que uma boa produção faz diferença: luz, som, equipe...  O Imperator é um dos melhores espaços culturais do Rio. Isso faz diferença. O evento tem um preço baixo (R$ 5,00 a meia entrada) mas se fosse o dobro acredito que manteríamos a média de público. São várias etapas para se chegar ao resultado final que é o evento acontecendo, para isso tem um planejamento anterior e muita gente trabalhando de forma organizada. Mas o mais importante é o público comprar a ideia e se divertir no evento.

Foto: Studio Prime

Banda maneira é o que não falta aqui no Rio. Pelo menos pra mim! :D Como aquelas interessadas em participar do evento devem proceder para tocar em alguma edição?
Nós estamos sempre ouvindo novos sons e assistindo a shows. Fazemos uma edição ao mês com 2 bandas, no RJ tem uma quantidade enorme de bandas e são elas que tocarão no palco do Imperator, no Rio Novo Rock das próximas edições.

Foto: Rio de Metal
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